Após ver uma reportagem no Fantástico, à poucos minutos, me sinto a vontade pra postar aqui dois textos, sendo um do Fernando Sabino e o outro apenas um trecho, mais uma frase que um texto, do livro Dragões de Eter.
Pessoas, homens e mulheres, brancas ou negras, que vivem nas ruas de Maceió estão sendo exterminadas. Sim o termo correto é esse, extermínio. O número de assassinados já chega a 31 e queira Deus ira parar por aí.
O que podemos fazer pra mudar isso? Como eu gostaria de ter essa resposta. Se indignar, cobrar das autoridades, promover a reportaagem para mais pessoas tenham conhecimento disso e tomem suas atitudes, orar... Ou simplesmente cumprir nosso "destino de passantes, que é o de passar."
Dragões de Eter (Raphael Draccon)
"Pois cada passo que um homem da em direção a uma morte não natural, é um sinal a humanidade em que ele está inserido que toda ela falhou em algum ponto."
Notícia de Jornal (Fernando Sabino)
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.
Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa - não é um homem.
E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum.
Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da rádiopatrulha, por que haveria de ser daminha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades.
As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.
Marllon Romualdo
domingo, 7 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Ela
Dispensa qualquer palavra... mas ainda sim tenho a necessidade de dize-las.
Dispensa explicações e entendimentos... mas me faz refletir.
Dispensa elogios óbvios... mas gosto de faze-los. (E talvez ela goste de ouvi-los)
Dispensa gentilezas... mas jamais as deixarei de ter.
Uma que se faz três...
Menina que sabe brincar e rir de coisas à toa.
Que não perdeu o brilho da infância
Se diverte no com as crianças em festa de aniversário!
Garota decidida apesar das dúvidas.
Alcança o que quer com a leveza que só ela sabe ter
Dança na chuva e ali irradia um sol próprio.
Mulher que jamais passa desapercebida
Assusta por sua independência e intensidade
Brinca de indiferença sem nunca magoar
Ela é linda sem se montar nem pintar,
mas quando se pinta consegue ser ainda mais bela.
Quem é ela? Talvez só ela vai saber... ou aquele que nas
entrelinhas souber ler o nome dela, coisa que tenho certeza
ela vai saber.
Dispensa explicações e entendimentos... mas me faz refletir.
Dispensa elogios óbvios... mas gosto de faze-los. (E talvez ela goste de ouvi-los)
Dispensa gentilezas... mas jamais as deixarei de ter.
Uma que se faz três...
Menina que sabe brincar e rir de coisas à toa.
Que não perdeu o brilho da infância
Se diverte no com as crianças em festa de aniversário!
Garota decidida apesar das dúvidas.
Alcança o que quer com a leveza que só ela sabe ter
Dança na chuva e ali irradia um sol próprio.
Mulher que jamais passa desapercebida
Assusta por sua independência e intensidade
Brinca de indiferença sem nunca magoar
Ela é linda sem se montar nem pintar,
mas quando se pinta consegue ser ainda mais bela.
Quem é ela? Talvez só ela vai saber... ou aquele que nas
entrelinhas souber ler o nome dela, coisa que tenho certeza
ela vai saber.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Início
Se existe algo que nossa geração deixará de herança para as futuras é essa imensa e inexplicável necessidade de se expressar, de se manter conectado, estar on line. Se essa é uma herança proveitosa eu não me atrevo a responder, deixo isso para os sociológos, filólogos e quantos mais se dediquem a pesquisas nessa área. O que sei é que faço parte dessa geração e aqui estou eu cumprindo meu papel.
Devo admitir que foi essa necessidade que me levou a criar este blogg. Antes essa vontade do que qualquer compromisso em acrescentar algo de útil àquele que perder seu tempo lendo meus versos. A isso muitos já se dedicam. Não esperem de mim qualquer informação cultural, social, política ou econômica, se ela surgir entremeios às minhas palavras será puro acidente... ou talvez não.
Minha dedicação será única e exclusivamente à palavra escrita e não com quaisquer assunto de interesse geral. Posso fazer poesia sobre o gosto de uma nova marca de bala, ou estudo crítico sobre um beijo. Falar de coisas que nunca vi não será pouco provável, pois se não as vi, posso te-las sonhado. Quão melhor são as coisas sonhadas à realidade, ou será melhor a realidade à coisa sonhada?
Leitor, se houver leitor. Não tomes meus versos por pretenção, nem por qualquer pejorativo que queira usar, me ponho aqui sem mascará e sem véu, desnudo de qualquer verniz. Apenas para satisfazer essa necessidade implícita de nossa geração. Expressão... Comunicação... Contato virtual, online, para atender a carência de contato físico.
Devo admitir que foi essa necessidade que me levou a criar este blogg. Antes essa vontade do que qualquer compromisso em acrescentar algo de útil àquele que perder seu tempo lendo meus versos. A isso muitos já se dedicam. Não esperem de mim qualquer informação cultural, social, política ou econômica, se ela surgir entremeios às minhas palavras será puro acidente... ou talvez não.
Minha dedicação será única e exclusivamente à palavra escrita e não com quaisquer assunto de interesse geral. Posso fazer poesia sobre o gosto de uma nova marca de bala, ou estudo crítico sobre um beijo. Falar de coisas que nunca vi não será pouco provável, pois se não as vi, posso te-las sonhado. Quão melhor são as coisas sonhadas à realidade, ou será melhor a realidade à coisa sonhada?
Leitor, se houver leitor. Não tomes meus versos por pretenção, nem por qualquer pejorativo que queira usar, me ponho aqui sem mascará e sem véu, desnudo de qualquer verniz. Apenas para satisfazer essa necessidade implícita de nossa geração. Expressão... Comunicação... Contato virtual, online, para atender a carência de contato físico.
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